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A cidade de Mogi das Cruzes foi um dos pontos centrais da Operação Caronte, deflagrada nesta sexta-feira (8) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público (MP-SP). A ofensiva visa desarticular um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa que atua no estado. Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em oito municípios, incluindo Mogi, Osasco e Campinas.
A investigação, conduzida pelo Deinter 2 (Campinas) e pelo Gaeco, identificou que o grupo utilizava empresas do setor de transportes e eventos de rodeio para “lavar” recursos provenientes do tráfico de drogas. O esquema contava com sócios “laranjas” para movimentar valores incompatíveis com as rendas declaradas, tentando dar aparência legal ao dinheiro ilícito.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas dos investigados. Durante as diligências em Mogi e nas demais cidades, as equipes apreenderam caminhões, automóveis de luxo, valores em espécie e até animais de grande porte, como bois e cavalos.
Um dos alvos da operação possui um histórico de alta periculosidade: no ano passado, ele foi preso preventivamente sob suspeita de integrar um plano da facção para assassinar um promotor de Justiça do Gaeco. As investigações sobre este suspeito específico já duravam desde 2016 e ganharam força após a quebra de sigilos fiscais e bancários.
O nome “Caronte” remete ao barqueiro da mitologia grega que transportava as almas para o submundo de Hades, o governante dos mortos e das riquezas subterrâneas, uma alusão ao destino dos recursos ilícitos acumulados pela organização criminosa.
Até o fechamento desta edição, o balanço total das apreensões realizadas em Mogi das Cruzes e nos outros municípios ainda estava sendo consolidado pelas autoridades no Departamento de Polícia Judiciária.