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Uma estratégia inovadora começou a funcionar em Suzano para incentivar a reciclagem e aliviar o orçamento doméstico dos moradores. Batizado de “Renda Verde”, o projeto funciona como uma “moeda ambiental” que permite a troca de garrafas PET e latas de alumínio por créditos em cartões de vale-alimentação e refeição. Criada pela Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Suzano (Univence) com suporte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a iniciativa já conta com cerca de cem cadastrados em seu primeiro mês de funcionamento.
O objetivo do programa é duplo: aumentar o volume de material reaproveitado na cidade, reduzindo o descarte irregular em vias públicas, e garantir um complemento de renda para as famílias e associações de bairro. Todo o saldo acumulado com as entregas dos materiais é convertido mensalmente no cartão e pode ser gasto diretamente nos supermercados, padarias e comércios parceiros da própria cidade.
O cálculo do benefício é baseado no peso dos materiais levados aos postos de coleta. Para as garrafas PET, cada quilo (cerca de 20 unidades) vale R$ 1,00 em crédito. Já as latas de alumínio possuem uma valorização maior: o quilo (aproximadamente 80 unidades) garante R$ 8,00 no cartão. Na dinâmica do projeto, uma família que consiga juntar dez quilos de plástico e dois quilos de alumínio por semana termina o mês com um saldo extra de R$ 104,00 para utilizar em alimentação.
A participação é totalmente gratuita. Os interessados devem comparecer a um dos pontos oficiais espalhados pelo município, como igrejas e associações comunitárias parceiras, para fazer o cadastro. Os materiais recicláveis são entregues semanalmente nesses locais, onde equipes da Univence fazem a pesagem e o registro dos valores no sistema.
Para a presidente da Univence, Ingrid Brum, o programa transforma a visão que a comunidade tem sobre o lixo, provando que o resíduo tem valor financeiro e social imediato, o que também acaba valorizando a cadeia de trabalho dos catadores locais.
O secretário de Meio Ambiente de Suzano, André Chiang, defendeu que o projeto é um exemplo prático de economia circular de sucesso. Segundo ele, ao separar o material em casa, o morador ajuda a preservar o meio ambiente, fortalece o cooperativismo e ainda recebe um retorno financeiro direto que ajuda a abastecer a despensa de casa.