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Uma megaoperação interestadual, batizada de “Fim da Fábula”, mobilizou cerca de 400 policiais civis e promotores de Justiça na manhã desta terça-feira (24) para desarticular uma organização criminosa especializada em estelionato digital. Com forte atuação no Alto Tietê, a ação teve um de seus desdobramentos mais mediáticos em Arujá, onde agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no condomínio de luxo Arujazinho IV, endereço do cantor de funk João Vitor Ribeiro, o MC Negão Original. O artista é investigado por suspeita de participação em fraudes de larga escala e lavagem de capitais.
O cerco policial se estendeu por cidades como Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos e Guarulhos, além de municípios do interior, litoral, Minas Gerais e Distrito Federal. Coordenada pelo DEIC e pelo Ministério Público, a ofensiva mira um esquema sofisticado que aplicava golpes como o do “falso advogado”, “golpe do INSS” e a invasão de contas via “mão fantasma”. O grupo utilizava plataformas de apostas online (bets) e fintechs para ocultar o dinheiro subtraído das vítimas.
Para desestruturar o braço econômico da organização, a Justiça paulista determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas bancárias identificadas, vinculadas a pessoas físicas e jurídicas. Ao todo, a operação cumpre 173 mandados judiciais, incluindo o sequestro de 36 imóveis e a apreensão de centenas de veículos de luxo e embarcações.
Fruto de um trabalho minucioso da 6ª Delegacia de Facções e Lavagem de Dinheiro (Disccpat), a operação “Fim da Fábula” busca encerrar um ciclo de ostentação mantido por meio de fraudes digitais que movimentaram cifras bilionárias nos últimos anos.