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O tabuleiro político paulista sofreu um forte abalo ontem, quarta-feira (22). O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou estar “confiante” na candidatura de André do Prado (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ao Senado. A declaração, dada após encontro estratégico com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) no Texas (EUA), sinaliza que o parlamentar guararemense é o nome de consenso do partido para a disputa.
A ascensão de André do Prado ao cenário nacional mexe diretamente com o equilíbrio de forças no Alto Tietê. Se, por um lado, a região pode ganhar uma voz inédita no Senado, por outro, abre-se uma lacuna, e uma “avenida” de votos, na Assembleia Legislativa.

80 mil votos em jogo
Na última eleição, André do Prado consolidou-se como o grande “embaixador” da região, somando 81.718 votos apenas nas cidades do consórcio regional. O mapa de sua votação mostra onde a disputa será mais acirrada:
| Cidade | Votos (André do Prado) |
| Suzano | 30.870 |
| Guararema | 11.754 |
| Mogi das Cruzes | 8.632 |
| Santa Isabel | 7.256 |
| Biritiba Mirim | 6.857 |
| Itaquaquecetuba | 5.748 |
| Arujá | 3.803 |
| Poá | 3.341 |
| Salesópolis | 3.322 |
| Ferraz de Vasconcelos | 303 |
| TOTAL ALTO TIETÊ | 81.894 |
Sucessão e a disputa regional
A grande pergunta que ecoa nos bastidores é: quem André escolherá para herdar seu capital político? A saída de um nome com essa envergadura para o Senado deixa órfãos milhares de eleitores que buscam representatividade estadual.
Neste cenário, surge uma lista ambiciosa de nomes que já se movimentam para ocupar esse espaço. A disputa promete ser intensa, especialmente dentro do próprio PL e entre os partidos aliados. O ex-prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PL), desponta hoje como o herdeiro natural para capitanear esse capital político na sigla, que conta ainda com a experiência do deputado estadual Marcos Damásio (PL) na busca pela manutenção de sua cadeira. Correndo por fora, aparece também a possível pré-candidatura da vereadora Malu Fernandes (PL), que pode entrar no páreo para fortalecer a bancada do partido. Entretanto, a “avenida” está aberta para outros campos políticos. Candidatos como Clau Camargo (PSD), Marcello Barbosa (Republicanos), Dr. Rafu (PP) e Rodrigo Valverde (PT) , além de Kaká (Podemos) e Edson da Paiol (Podemos), devem intensificar suas agendas para capturar o eleitor que hoje vê seu principal representante estadual alçar voos maiores.
Ganho ou perda?
A movimentação gera um debate necessário: a região perderá força na Alesp? Historicamente, o Alto Tietê luta para manter uma bancada forte e unida. Se André do Prado se tornar senador, a região ganha um aliado estratégico em Brasília para a liberação de verbas federais e grandes convênios.
Contudo, a manutenção da bancada estadual dependerá da capacidade de renovação das lideranças locais. O risco de uma fragmentação excessiva desses 80 mil votos entre muitos candidatos pode, ironicamente, diminuir o número de cadeiras da região na Alesp.
O tabuleiro está montado. Com a chancela de Valdemar e a decisão final nas mãos de Eduardo Bolsonaro, o destino de André do Prado parece traçado rumo ao Senado, deixando para o Alto Tietê o desafio de se reorganizar para não perder sua relevância no mapa político de São Paulo.