Postado em .
A Secretaria Municipal de Educação de Ferraz de Vasconcelos realizou, ontem (03/06), a formação pedagógica “Vozes da Ancestralidade: A importância da literatura indígena”. A atividade, que se estendeu ao longo de todo o dia, foi voltada a professores multiplicadores e integrantes das equipes gestoras das unidades escolares da rede municipal de ensino.
O encontro teve como objetivo central subsidiar tecnicamente os educadores para fortalecer o cumprimento e a implementação da Lei Federal nº 11.645/2008 (que torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena), da Resolução SME nº 05/2024 e das diretrizes fixadas pelo Plano Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
A capacitação foi conduzida por Silvia Kaimbé, educadora e representante de povos indígenas brasileiros. Durante o evento, foram promovidas discussões sobre a inserção de biografias de autores originários nos planos de aula, o reconhecimento das diferentes etnias que compõem o território nacional e o papel das narrativas tradicionais no desenvolvimento da leitura e da interpretação textual dos alunos.
A programação alternou momentos de estudo teórico com análises práticas de obras literárias recomendadas e atividades em grupo. O foco esteve em capacitar a gestão escolar para coordenar projetos pedagógicos contínuos que superem abordagens estereotipadas.
De acordo com a articuladora pedagógica Roberta Rodrigues de Oliveira, a iniciativa consolida o planejamento estratégico do município em relação às pautas de equidade. “Estamos em mais uma formação da cultura indígena, hoje com o tema ‘Literatura Indígena no Cotidiano Escolar’. É o estrito cumprimento da Lei 11.645 de 2008 e também está em total consonância com as diretrizes do PNEERQ”, pontuou.
Para a professora Lucilene, o encontro oferece ferramentas que impactam diretamente a dinâmica das salas de aula. “Esses momentos são essenciais para que o corpo docente veja além do que está engessado no livro didático. É uma experiência enriquecedora porque, ao transmitirmos esse conhecimento para as crianças, deixamos a teoria de lado e mostramos a prática”, avaliou.
A formadora Silvia Kaimbé destacou a relevância de se debater a identidade dos povos originários dentro dos grandes centros urbanos do Alto Tietê e da Região Metropolitana.
“Para mim, é uma honra retornar a Ferraz de Vasconcelos trazendo a vivência da minha cultura, a cultura dos povos indígenas. É fundamental compreender que, mesmo inseridos em um contexto urbano, nós existimos, resistimos e mantemos viva a nossa ancestralidade por meio da fala e da literatura”, concluiu a educadora.