Arujá: Família acusa rede de saúde de negligência após morte de bebê; Prefeitura diz que óbito foi por “causa natural”


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Imagem: Arujá: Família acusa rede de saúde de negligência após morte de bebê; Prefeitura diz que óbito foi por “causa natural”. Publicado no Portal A+ | notícias de Arujá e região.

Uma família moradora de Arujá clama por justiça e por uma investigação rigorosa após a morte da pequena Larah Valentina dos Santos Lisboa, de apenas 4 meses, ocorrida no último dia 15 de maio. Os pais acusam a rede pública de saúde do município de negligência médica, relatando que a bebê sofria com sintomas graves desde o nascimento e que houve falha no diagnóstico e na condução do tratamento por parte das unidades municipais. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.

Segundo os familiares, os problemas de Larah Valentina começaram logo após o parto, realizado na Maternidade Municipal Dalila Ferreira Barbosa. A menina nasceu com baixo peso (menos de 2,300 quilos) e, ainda nos primeiros dias de vida, já apresentava dificuldades respiratórias crônicas, respirando constantemente com a boca aberta e sofrendo engasgos frequentes.

O quadro de saúde agravou-se nos meses seguintes. Em abril, a bebê desenvolveu anemia, que posteriormente evoluiu para um quadro de bronquiolite e pneumonia, o que motivou a sua internação no Pronto Atendimento Pró-Criança, local onde o histórico de atendimentos se intensificou.

Alta médica sob questionamento

A família relata que buscou socorro médico por cerca de três vezes diante das crises da criança. O ponto central da denúncia de negligência teria ocorrido durante a internação por pneumonia no Pró-Criança. De acordo com os pais, a equipe médica constatou que o coração da bebê estava batendo com uma frequência muito acima do normal (taquicardia).

Mesmo diante desse sinal de alerta, a unidade hospitalar concedeu alta médica para a paciente. Os pais questionam duramente a liberação da criança, apontando que o local não contava com um médico cardiologista para avaliá-la, mesmo com a equipe ciente dos batimentos cardíacos excessivamente altos.

No dia 15 de maio, após retornar ao Pró-Criança em estado grave, a bebê não resistiu e faleceu. À família, o médico plantonista teria alegado verbalmente que Larah possuía uma cardiopatia grave não identificada a tempo, afirmando que “ninguém morria do nada” e que ela havia sofrido uma parada cardíaca. No entanto, os parentes contestam a conduta e a falta de exames aprofundados prévios. “Com tantos sintomas aparentes, faltou um profissional de verdade para examiná-la de fato”, desabafou um familiar.

Polícia investiga o caso

A indignação aumentou quando a declaração de óbito foi entregue à família com a causa mortis registrada provisoriamente como “morte natural”. Diante do que consideram um erro médico em série, os pais registraram um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Polícia Civil para que as circunstâncias sejam oficialmente apuradas. O laudo necroscópico detalhado do Instituto Médico Legal (IML), que determinará a real causa da morte, deve ficar pronto em até 30 dias.

A família espera que o caso não fique impune e cobra melhorias urgentes no atendimento do Pró-Criança. “Queremos investigação e que coloquem profissionais de verdade para trabalhar”, clamam os parentes.

O que diz a Prefeitura

Questionada pela reportagem do Portal A+, a administração do Pronto Atendimento Pró-Criança enviou uma nota oficial detalhando o histórico clínico da paciente e contestando a acusação de negligência.

Segundo o comunicado, Larah Valentina deu entrada na unidade no dia 18 de abril com um quadro respiratório compatível com pneumonia. “Após exames e avaliação médica, foi internada para tratamento com antibióticos e acompanhamento clínico, apresentando evolução satisfatória e recebendo alta em 21/04/2026, estável e sem necessidade de oxigênio”, diz a nota.

A gerência da unidade informou ainda que, de acordo com relatos da própria responsável legal da bebê, “a criança também estava em investigação por possível cardiopatia congênita em unidade especializada, sendo orientada a manter o acompanhamento cardiológico após a recuperação do quadro respiratório”.

Sobre o dia do falecimento, a administração relatou que, em 15 de maio, a paciente retornou à unidade já desacordada e em parada cardiorrespiratória. A equipe médica informou que realizou imediatamente todas as manobras de reanimação e suporte avançado, porém sem êxito.

Por fim, o Executivo explicou que o caso foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Guarulhos, referência regional para este tipo de atendimento, e que o óbito foi registrado como de causa natural. A Secretaria de Saúde de Arujá concluiu informando que aguarda a retroalimentação oficial da Declaração de Óbito pelos órgãos competentes e manifestou solidariedade aos familiares neste momento de profunda dor.

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